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Deterioração afasta lançamentos do centro

 

Na cidade, região foi a que menos recebeu novos edifícios residenciais de 2006 a 2009

 

EDSON VALENTE
EDITOR-ASSISTENTE DE IMÓVEIS

 

O centro foi a região da cidade de São Paulo onde houve menos lançamentos imobiliários de 2006 a agosto de 2009: foram 51, contra 324 na zona sul, 240 na oeste, 199 na leste e 107 na norte, segundo a Geoimovel, empresa de pesquisa e análise do mercado imobiliário.

O distrito de Santa Cecília lidera o ranking do número de novos empreendimentos no período: 16. A seguir vêm Liberdade (11), Bela Vista (7), Bom Retiro (5) e Consolação (5).
Incorporadores citam a carência de melhorias urbanísticas na região central -que combatam, por exemplo, a sujeira e a violência- como principal causa do descompasso de seu mercado de lançamentos em relação ao de outras zonas.

"Hoje o movimento ali é tímido porque ninguém quer "puxar" o desenvolvimento por iniciativa própria", observa Alexandre Melão, diretor-sócio da Five Planejamento Imobiliário. "O governo estadual e o municipal é que devem encabeçar a renovação do centro com uma intervenção mais forte."

"Os terrenos são mais baratos, dá para vender imóveis mais baratos, mas não é o suficiente para um só incorporador ser pioneiro, pois aquele trecho está muito degradado", afirma Fábio Romano, diretor da incorporadora Yuny. Um boom de empresas, apoiado pelo poder público, revitalizaria a região, propõe.

Acessibilidade
O ponto forte do centro é o acesso fácil. "Quem mora lá usa transporte coletivo", diz Celso Amaral, diretor corporativo da Amaral d'Avila Engenharia de Avaliações e da Geoimovel.
"Mas às vezes falta infraestrutura, o morador não tem um mercado tão próximo de casa. Para a classe média em ascensão social, porém, é melhor viver no centro que na periferia, para ficar perto do trabalho."

 

CENTRO
Santa Cecília quer virar Higienópolis

 

Metro quadrado de lançamentos atinge níveis do vizinho famoso

DA REDAÇÃO

O mercado imobiliário de Santa Cecília vive à sombra da vizinhança de Higienópolis. A maioria dos lançamentos que fizeram do distrito o campeão imobiliário de 2006 a agosto de 2009 estão no seu trecho mais próximo do bairro nobre do distrito da Consolação.

E não são só os nomes dos empreendimentos que tomam emprestado o glamour do vizinho famoso. O valor do metro quadrado das unidades de quatro quartos do Lindenberg Higienópolis, na rua São Vicente de Paula, em Santa Cecília, por exemplo, já bate nos R$ 6.750, de acordo com a Geoimovel.

"Por ser uma extensão do bairro de Higienópolis, Santa Cecília é uma das regiões interessantes do centro", resume Celso Amaral, diretor corporativo da Amaral d'Avila e da Geoimovel. "Ela já tem vida." E tem infraestrutura. Segundo o DNA Paulistano, pesquisa feita pelo Datafolha, a diversidade de comércio e serviços é o ponto forte do distrito, na opinião de 32% de seus moradores; para 22%, é a localização.

Posição estratégica
"Atrai um público que procura morar perto do trabalho", diz Marcos França, sócio-diretor da Requadra. A incorporadora entregou ali, há um ano e meio, o Jardins de Higienópolis.

Entre seus compradores, França identifica estudantes (a Universidade Presbiteriana Mackenzie está localizada na região) e médicos (a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo também fica ali).

A posição estratégica da região foi justamente o que atraiu a publicitária Fernanda Fregonezi, 31. Ela aluga há três anos e meio um dois-dormitórios praticamente na divisa de Santa Cecília com Higienópolis.

"O meu noivo estudava na avenida Angélica", explica. "Estou no centro de tudo. E, por ficar na beiradinha de Higienópolis, não é tão caro quanto o meio do bairro."

Agora, em busca de um apartamento próprio, não tem certeza se continua por ali mesmo ou adentra um pouco mais o bairro mais nobre. "Queria um lugar com menos barulho", diz ela, incomodada com as reformas na calçada do outro lado da rua, em frente ao seu prédio, onde há uma série de bares.

Se os ares de Higienópolis ajudam na valorização de Santa Cecília, a influência que exercem em relação aos problemas do distrito é limitada.

A pobreza e a miséria nas ruas incomodam 12% dos moradores, segundo o Datafolha; 10% mencionam a sujeira e o trânsito. Esses males se acentuam na parte mais baixa, próxima ao Minhocão.
(EV)

 

APOSTA
MERCADO RESIDENCIAL DO BRÁS REVIVE NA PROXIMIDADE DA MOOCA

DA REDAÇÃO

 

Após passar 2006, 2007 e 2008 em branco, o Brás renasceu aos olhos dos incorporadores em 2009. Em agosto foi lançada a primeira fase do Atua Hipódromo, com 223 unidades de três dormitórios (63 m2 e 65 m2) por cerca de R$ 170 mil.

As vendas da segunda fase começaram em setembro: 199 apartamentos de dois quartos (de 42 m2 a 46 m2) com preço médio de R$ 107 mil, dentro do Minha Casa, Minha Vida.

O distrito, polo de comércio popular, pode ser opção de moradia para quem trabalha ali, assinala Feliciano Giachetta, da FGi Negócios Imobiliários.

Mas não só. O Atua atraiu ainda "gente da cidade toda, pela proximidade do metrô", diz Hugo Louro, gerente de incorporação da construtora e incorporadora Atua, que fez o empreendimento. "Sobretudo da zona leste, pessoas que queriam se aproximar do centro."

A empresa prevê outros lançamentos na rua Hipódromo em 2010. "O trecho tem terrenos grandes, boa infraestrutura e sofre influência da Mooca."

As vantagens da região, na opinião de quem nela vive, são o comércio próximo (26%) e a localização (26%), segundo o Datafolha. Seu principal problema, para 20% dos moradores, é a sujeira das ruas. (EV)

 

 

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