Mercado
Negociação sem corretor gera "pseudoganho"
Quem compra, vende ou aluga um imóvel sem o auxílio de um especialista pode levar de brinde uma tremenda dor de cabeça
Alessandra Mizher
Quem nunca sentiu-se tentado a pesquisar uma opção imobiliária sem a ajuda de corretores ou empresa especialista no segmento? Para muitos, essa atitude pode ser sinônimo de economia de dinheiro, principalmente por não precisar pagar a taxa de comissão do profissional. E, inclusive, algumas vezes, até economia de tempo, quando já se encontra estampado em uma faixa na rua o imóvel dos sonhos.
Entretanto, na maioria das vezes, a prática é perigosa e pode trazer inúmeros problemas para quem pretende economizar a tradicional taxa de corretagem.
Como explica Feliciano Giachetta, diretor da FGi Negócios Imobiliários, a compra e venda de imóveis por conta própria pode gerar muita dor de cabeça. "A maioria das pessoas acha que, fazendo um negócio diretamente com o proprietário, poderá economizar o dinheiro com a comissão. Mas vale ressaltar que essa atitude acaba sendo um pseudo-ganho, uma vez que, em muitos casos, uma comercialização mal feita pode gerar muitos problemas."
Documentação. Segundo o profissional, uma das maiores fontes de dificuldades está relacionada a documentação do imóvel. "A negociação imobiliária não se resume apenas a aparência do imóvel ou se o comprador gostou da localização. Há muitas coisas por trás disso e uma das mais importantes é a documentação imobiliária. Para que se tenha sucesso é preciso entender profundamente da questão. Assim, o ideal é que a negociação tenha todo aparato profissional", revela Giachetta.
Além da legalização e transferência adequadas do bem imobiliário, há outros fatores que não podem ser deixados de lado. O valor de mercado do imóvel e análise da qualidade da negociação são melhores analisadas por um profissional experiente. A localização, estado de conservação e possível valorização do imóvel com o passar do tempo também são de conhecimento de um corretor.
Os leigos não têm parâmetros para a comparação de preços ou mesmo de localização. O conhecimento da compra e venda não se adquire do dia para a noite. É preciso estudo, empenho e experiência no setor, assim como em qualquer outra profissão.
"Além disso, vale lembrar que quando se compra um imóvel não se compra apenas a unidade imobiliária. Compra-se o imóvel, o prédio, a rua, o bairro, a vizinhança. E para se ter garantido um bom negócio é preciso conhecimento na área", completa Giachetta.
Cuidados
Economizar na comissão de corretagem é uma "fria"
Alessandra Mizher
Dúvidas relacionadas à saúde são esclarecidas por um médico. Questões jurídicas podem ser solucionados por advogados. Os mecânicos estão aptos para resolver problemas com os carros.
Seguindo esta linha de raciocínio, transações imobiliárias são feitas por profissionais da área, certo? Nem sempre, pois na prática - especificamente no mercado imobiliário - muitas pessoas não procuram ajuda de corretores quando querem vender ou adquirir e, até mesmo, alugar um apartamento, casa, sala comercial, entre outros. Entretanto, o melhor é tomar cuidado pois, a qualquer momento, os "aventureiros" podem entrar numa "fria".
Foi o que aconteceu com o analista de sistemas Maurício Bracale, que comprou um imóvel sem o auxílio de um especialista do setor. Como lembra Maurício, em meados do ano passado, ele recebeu indicação para a compra, diretamente com o proprietário, de um apartamento em São Paulo. Era a primeira vez que iria comprar um imóvel e, com a intenção de facilitar o negócio e economizar na comissão de corretagem, decidiu procurar o proprietário.
"Me interessei por uma opção de dois quartos no bairro da Saúde. O imóvel estava em ótimo estado de conservação e tinha o tamanho que eu procurava. A localização era excelente, bem próximo ao meu trabalho. O preço também estava de acordo com o que eu podia pagar. Entretanto, depois de fechar o negócio, os problemas começaram a surgir", conta.
A primeira dificuldade encontrada pelo analista de sistemas foi que o imóvel não estava registrado em nome do vendedor e, sim, do primeiro proprietário. "Eles tinham feito um contrato de gaveta, em que o atual proprietário morava no imóvel com o registro em nome do anterior. Entretanto, eu fiquei sabendo disso depois que fechei o negócio. Para solucionar o problema, perdi muito tempo e dinheiro."
Segundo Maurício, a legalização da documentação e transferência do registro do imóvel para o seu nome demorou mais de quatro meses. "Ainda tive problemas com uma dívida feita pelo vendedor com uma empresa de seguro imobiliário", finaliza.
Pagamento
Corretor também pode auxiliar no financiamento
O consultor jurídico e diretor da Céu-Lar Netimóveis, Fernando de Magalhães, também aconselha os interessados na compra ou locação imobiliária a procurar um profissional adequado para auxiliar nas negociações.
Segundo o profissional, o número de faixas e cartazes oferecendo imóvel para vender ou alugar, espalhados pela cidade, confirma um volume grande de pessoas que ainda fazem as negociações de forma precária.
"Se ainda existe essa forma de divulgação é porque muita gente ainda procura o imóvel sem a ajuda de um profissional especializado", revela.
Para Magalhães, além da indicação da melhor localização, padrão construtivo, acabamento e valor de mercado, o profissional é capaz de indicar a melhor forma de pagamento do imóveis.
"O corretor sabe analisar o melhor financiamento, o prazo ideal para o pagamento e as taxas de juros adequados para cada caso. Por isso, acho que não valeria a pena correr riscos na hora de comprar um dos ítens mais caros e importantes na vida de uma pessoa", diz Magalhães.
O profissional ainda explica que a tentativa de fazer a negociação imobiliária de forma independente e inadequada pode ser explicada pela aversão de muitas pessoas ao profissional que atua no mercado imobiliário, como o corretor de imóveis, por exemplo.
"O corretor de imóveis é mal visto por muita gente, culpa dos aventureiros que entram para o promissor mercado imobiliário sem a formação adequada." Para trabalhar na área, é preciso fazer um curso e tirar o registro no conselho regional, o Creci. Além disso, para ter sucesso com boa atuação, é fundamental estudar para conhecer profundamente o mercado", completa. (AM)